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Nada que é digital nos é estranho

 

Entrevistas

Software entrega notícias no celular

Software entrega notícias no celular

Noticiário a jato

John Goodall é um dos criadores do LiteFeeds (www.litefeeds.com), um software em Java para telefones celulares que exibe notícias que chegam via RSS. Você lê mais sobre o LiteFeeds na edição de hoje do caderno Informática. Ele falou à Folha, por e-mail, sobre o programa e sobre como é criar software para aparelhos móveis.

Folha - Por que você criou o LiteFeeds?

John Goodall - O LiteFeeds foi criado para prover um modo melhor de receber conteúdo personalizado em seu aparelho móvel. Os usuários não querem digitar URLs ou navegar páginas bagunçadas e lentas em um browser WAP. O Litefeeds é um jeito fácil e rápido de navegar. Você recebe só as últimas notícias e o software sincroniza com suas assinaturas [de RSS] on-line, então

Folha - Quais são as vantagens de criar software para celulares? E quais os problemas que você enfrenta?

Goodall - Não há vantagens :) Softwares para celulares são difíceis de criar e, por que cada telefone é único, é muito difícil garantir que o seu software vá funcionar em todos os celulares. Além disso, nem todas as operadoras permitem que o LiteFeeds se conecte diretamente à internet. É por isso que também criamos o LiteFeeds WAP, para o caso de o software LiteFeeds Java não funcionar.

Folha - Quais são as principais limitações de hardware que você enfrenta ao criar software para celulares?

Goodall - O hardware dos celulares é muito menos poderoso, então o software precisa ser criado de forma a ser muito eficiente e mantido simples, ou ele vai funcionar de modo ruim em aparelhos móveis e pode até "congelar" por causa de vazamentos de memória. Limitações de memória e de CPU são importantes.

Folha - A integração com outros sites como o del.icio.us e o Blogger atrai usuários?

Goodall - Sim, isso atrai usuários mais conhecedores de tecnologia, enquanto outros usuários podem não precisar desses recursos. Nós temos muitas funções extras como essas que nos diferenciam de outros serviços similares.

Folha - Quais são algumas das funções que vocês pretendem acrescentar ao LiteFeeds? Vocês recebem muito feedback dos usuários? Em caso afirmativo, o que eles mais pedem?

Goodall - Nós recebemos muito feedback, principalmente dos usuários de Blackberry e de Palm. Muitos querem integração mais próxima com o software nativo dos seus celulares. Nós planejamos adicionar recursos que aumentarão a integração com aparelhos específicos.

Folha - Por que você acha que as pessoas não usam seus celulares para acessar a internet com mais freqüência? Ainda há uma idéia de que ela é lenta e limitada?

Goodall - A internet móvel é lenta, muito cara e difícil de ser navegada e mostrada nas telas dos aparelhos. O LiteFeeds comprime, faz um cache e formata as notícias em RSS para que elas sejam rápidas, exibidas melhor, sejam fáceis de navegar e custem menos para o usuário.

Folha - Você acha que o uso de software em celulares vai crescer nos próximos anos?

Goodall - Sim, com certeza. Conforme o software melhora, os custos se reduzem e as pessoas se acostumam com seus aparelhos móveis, você verá um grande aumento na quantidade de dados que as pessoas consomem no celular. Isso simplesmente porque você pode consumir os dados em qualquer lugar e não precisa ficar amarrado em um grande desktop "geeky".

POR PAULA LEITE

Escrito por Mariana Barros às 13h17

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Nova comunicação

Com ares de revolucionários virtuais, Alex Tabarrok e Tyler Cowen mantêm o blog Marginal Revolution, onde comentam fatos, provocam, propõem idéias e acreditam estarem dando pequenos passos para um mundo melhor.
Em entrevista por e-mail à Folha, Alex Tabarrok falou sobre o papel dos blogs e de como essas páginas estão conectando pessoas e conhecimentos.
 
FOLHA - Quando você começou a blogar?
 
ALEX TABARROK - Meu primeiro post foi feito exatamente às 15h07 do 21 de agosto de 2003.
 
Como você pode ver, um blog jamais esquece. Eu escrevo no Marginal Revolution não apenas para que as outras pessoas o leiam mas também para criar uma banco de dados de idéias e de links interessantes que podem ser pesquisados.
 
FOLHA - Que outras mídias você já usou ou ainda usa para se expressar? Como são em comparação com o que você consegue blogando?
 
TABARROK - Como professor da Universidade George Mason, eu continuo a escrever pesquisas e livros para a audiência acadêmica.
 
Marginal Revolution me ajuda a tornar minhas pesquisas públicas.
 
FOLHA - Qual o tráfego do seu blog? Você se importa com isso?
 
TABARROK - De 10 milhões de blogs, estamos em 583ª posição no ranking do Technorati.
 
Em um dia típico, temos algo próximo de 20 mil leitores, incluindo gente de Cingapura, da Tailândia, do Chile e de mais um monte de lugares.
 
Queremos que a audiência seja tão grande quanto possível, mas, claro, não publicamos fotos de garotas nuas só para aumentar o número de cliques.
 
FOLHA - Você sabe quem é o seu público? São pessoas que você conhece na vida real ou o blog o ajuda a conhecer novas pessoas?
 
TABARROK - Não sabemos quem são nossos leitores até que mandem um e-mail para nós.
 
É sempre divertido quando alguém famoso nos escreve para dizer que é nosso leitor.
 
O crítico de cinema Roger Ebert um dia me escreveu um e-mail sobre um item que tinha lido no Marginal Revolution.
 
FOLHA - Quem ou o quê você tenta agradar quando escreve? Você vê a atividade como um tipo de compromisso?
 
TABARROK - Nossa audiência inclui muita gente esperta de todas as áreas da vida, então temos de nos manter na ponta dos pés.
 
Tentamos criar um blog interessante, cheio de fatos, argumentos e opinião.
 
A opinião coloca tempero, os fatos nós sustentamos com links e o argumento deve ser sólido o suficiente para satisfazer nossa bem-informada audiência.
 
Por MARIANA BARROS

Escrito por Paula Leite às 09h27

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Nova comunicação 2
 
Leia a continuação da entrevista com Tabarrok.
 
FOLHA - Que tipo de impacto os blogs estão causando na maneira como as pessoas se comunicam e trocam informações?
 
TABARROK - O que acho mais interessante sobre blogs é o quão rápido o conhecimento específico pode ser trazido à tona.
 
A comunidade de blogs pode freqüentemente apontar as poucas pessoas que têm real conhecimento do assunto do dia e, via links, trazer o conhecimento delas para ser compartilhado.
 
Hoje, é mais fácil descobrir quando alguém simplesmente não sabe sobre o que está falando porque os blogs irão separar essa ignorância do resto do conteúdo.
 
Eu acho que isso tem aumentado a qualidade dos discursos. Editoriais dos jornais, por exemplo, estão bem mais propensos a citar pesquisas acadêmicas do que estavam no passado.
 
FOLHA - O que faz um blog mais confiável? Você acha que um dia eles serão uma fonte confiável assim como os livros? >
 
TABARROK - Os blogs estão assumindo o papel de conectores entre você o conhecimento mais aprofundado.
 
A genialidade do Google foi perceber que a sabedoria da internet está nos links. A mesma coisa acontece com os blogs.
 
Meu co-autor Tyler Cowen e eu temos experiência real em algumas áreas sobre as quais escrevemos, mas, acima de tudo, estamos conectando nossos leitores com especialistas de outras áreas.
 
Acho que somos verdadeiros conectores e, acho que devo acrescentar, que o Marginal Revolution também é diversão.
 
FOLHA - Como serão os blogs no futuro?
 
TABARROK - Meu palpite é que o número de blogs continuará a crescer tremendamente, mas a maioria dos novos blogs não irá durar muito.
 
Leitores serão distribuídos exponencialmente, a maior parte deles para um número relativamente pequeno de blogs (não mais do que mil ou perto disso) e bem poucos para o restante.
 
Por MARIANA BARROS

Escrito por Paula Leite às 09h25

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Alta definição

Alta definição

Um show para a internet

O primeiro show em alta definição feito para ser distribuído pela internet, cujo primeiro episódio foi ao ar em dezembro de 2005.

Essa é uma das muitas definições possíveis para o
mariposaTV, um programa de televisão feito por quatro norte-americanos baseados na Argentina que decidiram unir as belezas e as belas da América Latina com tecnologia de ponta e a capacidade da Internet de distribuir conteúdo.

Troquei alguns e-mails com Dominic (todos se indentificam só pelo primeiro nome), um dos reponsáveis pela iniciativa, que topou dar uma entrevista.

Depois de ler alguns trechos selecionados, recomendo que conheçam o site da produção: é bem completo, com dicas passo-a-passo que ensinam a fazer o download e assistir ao programa, detalhes técnicos, um alentado fórum sobre alta definição e
fotos ótimas. Abaixo seguem os trechos da entrevista, separados por tópicos.

O COMEÇO
"A única coisa que não foi um desafio foi encontrar belas imagens. A América do Sul está cheia delas.
Nós queríamos ser a primeira produção HDTV feita originalmenta para a internet. Então nós precisávamos ser os primeiros a descobrir como filmar em HD digital, editar e distribuir isso, tudo com baixo orçamento e quatro pessoas."


TECNOLOGIA E CRIAÇÃO
"O MariposaHD é um grande exemplo de como a Internet e as novas tecnologias (vídeo, software, câmeras, P2P) se combinam para criar novar formas de arte. Nosso show poderia não ser possível há poucos meses atrás. Agora é.

A tecnologia sempre moldou o universo que o artista pode explorar. Dá invenção da pintura a óleo a novos instrumentos musicais, para novas técnicas de comunicação, tudo aumenta os caminhos que as pessoas criativas podem se expressar.

Agora, nós temos vídeos de alta definição que podem, facilmente, ser distribuídos para uma enorme audiência global."


INDEPENDENTES X MAJORS
"
Nós pensamos que o mariposaHD e produções independentes, de forma geral, podem sobreviver em uma competição com os grandes de Hollywood. A internet e as novas tecnologias podem ajudar nossa causa e ferir a deles.

No lugar de vermos um pequeno número de companhias de mídia globais ditar como o mundo se entretem, nós prevemos mais produções como a mariposaTV nos próximos anos."


O BRASIL E O MUNDO
"Nosso três primeiros episódios foram focados na Argentina. Os três seguintes no Uruguai. Os próximos dois, no México, e, aí, o Brasil.
Nós planejamos o programa para divertir pessoas de qualquer língua ou cultura no mundo."


DINHEIRO

"Publicidade é certamente uma das formas de ganhar dinheiro com um show independente, mas não o único. Eu acredito que há um espaço para produções independentes sem comerciais.

No início do rádio, do cinema e da televisão, produtores experimentaram várias modelos de negócios diferentes; agora é esse início para o vídeo na Internet"


Foto: MariposaTV

POR GUSTAVO VILLAS BOAS

Escrito por Mariana Barros às 07h46

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Scott Adams

Scott Adams

Muito além do Dilbert 

Tênis, comida vegetariana, comer em restaurante e gatos de estimação. São esses os principais interesses que Scott Adams, criador do personagem Dilbert, diz ter em seu blog. O site pessoal do cartunista, porém, vai bem além disso.

Com cerca de 35 mil visitas diárias, é nele que Adams dispara opiniões que vão de arqueologia a Britney Spears. Por e-mail, ele conversou com a Folha sobre a atividade que é a sua preferida, embora a que pague menos: blogar.

(A segunda parte da entrevista segue no post abaixo.
Foto: Reprodução)



FOLHA - Quando você começou a blogar?

ADAMS - Comecei em outubro de 2005. Trabalhava em uma companhia chamada United Media, e selecionei um serviço comercial de blogs, o TypePad.


FOLHA - Que outras mídias você usou ou ainda usa para se expressar? Como são em comparação com o que você alcançou blogando?

ADAMS - Eu crio uma tirinha do Dilbert todos os dias. Também escrevi muitos livros e faço palestras públicas. Mas blogar é o que me dá mais liberdade criativa. Não preciso ficar restrito a um tema e não tenho um editor fazer intermediação com os leitores.

Os comentários sobre os meus posts chegam imediatamente e essa é grande parte da diversão. Eu tenho retorno imediato. Do ponto de vista artístico, é o que mais gosto. Mas é também o que paga menos.


FOLHA - Qual é o tráfego do seu blog? Você se importa com isso?

ADAMS - A média é de 35 mil visitas diárias. Já teve picos de até 200 mil acessos em determinados dias, dependendo do assunto. Eu não sei como isso se traduz para pessoas, individualmente. Não administro esse lado técnico do blog.


FOLHA - Você sabe quem é o seu público? São pessoas que você conhece na vida real ou o blog o ajuda a entrar em contato com pessoas novas?

ADAMS - Cerca de 80% da minha audiência é composta por homens inteligentes com senso de humor negro. São um grupo divertido. Não conheço muitos deles pessoalmente, exceto pelo pelos comentários que fazem no meu blog.


FOLHA - Quem ou o que você tenta agradar ou convencer ou argumentar quando bloga? Você vê isso como um tipo de compromisso?

ADAMS - Para mim, é como um laboratório. Tento todos os tipos de assunto, do humor puro ao político, da filosofia à religião. Então eu vejo o que recebe melhor resposta e faço ajustes de acordo com isso. É um processo bastante orgânico.

A minha experiência é que ninguém muda a mente de ninguém por dispor de um argumento melhor. Então, não tento mudar cabeças. Tento apenas engajá-las. Para mim, tudo se resume a fazer com que as pessoas pensem de uma maneira que, de outro modo, não teriam pensado. Meu blog é para pessoas que gostam de pensar de maneiras diferentes.

Escrito por Mariana Barros às 06h18

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Scott Adams

Buscando referências


Nesta segunda e última parte da entrevista, Scott Adams fala sobre o papel dos sites que medem a popularidade de outros sites, ajudando a popularizá-los democraticamente, e sobre o que confere credibilidade a um blog.

 FOLHA - Que tipo de impacto os blogs estão tento na forma como as pessoas se comunicam e trocam informações?

ADAMS - Os blogs por si mesmos não são tão importantes sem a existência dos sites de recomendação de outros sites, como o Reddit.com ou o Digg.com. Usuários coletam e sugerem links para esses sites com o conteúdo que lhes pareceu mais interessante. Então outros usuários votam nos conteúdos para ver quais são os mais populares em um determinado momento.

O resultado é algo que se aproxima da democracia pura em um mercado de opiniões. O melhor e o mais interessante vai para o topo. Você não precisa mais ficar ouvindo as mesmas opiniões. A melhor opinião que você ouve sobre um determinado assunto pode ser de algum blogueiro que tem um ponto de vista completamente diferente. Essa é a grande mudança em relação ao passado.


FOLHA - O que faz com que um blog seja confiável? Você acha que algum dia eles terão a mesma credibilidade de um livro?

ADAMS - Me pergunto isso com freqüência. Não acho que um blog possa ser confiável a menos que publique comentários críticos de seus leitores. Por exemplo, quando faço uma questão em meus posts, os internautas indicam links de sites que se opõem ou que confirmam o que eu disse. Eu aprovo todos esses comentários, mesmo quando me provam factualmente que estou errado. Acho que isso dá credibilidade.

Além disso, digo aos meus leitores que não estou promovendo um ponto de vista; estou promovendo uma forma de pensar, de maneira que eles podem chegar com os pontos de vista deles. Isso automaticamente dá credibilidade porque não é advocacia (meu maior problema é que minha não-advocacia muitas vezes parece advocacia se um ponto de vista é preponderante).


FOLHA - Qual será o futuro dos blogs?

ADAMS - Eu acho que os blogs são permanentemente uma coisa do futuro. Acho que os melhores continuaram a subir para o topo. a grande mudança será que, futuramente, haverá melhorias nos rankings e nas cotações dos blogs, além de melhorias na maneira como os leitores poderão comentar e interagir entre si.

Escrito por Mariana Barros às 06h08

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Jogos

Jogos

Vida Social

Francis Chang já participou de pesquisas acadêmicas sobre Second Life e escreveu sobre sua experiência no jogo aqui.

Chang é doutorando da Universidade Estadual de Portland (EUA) e já colaborou com pesquisadores da Universidade Stanford em estudos sobre jogos on-line, como este (em PDF, em inglês) sobre Second Life.

Ele falou ao blog sobre as principais diferenças de Second Life com relação a outros jogos on-line e porque ele atrai tanta gente. Para saber mais sobre Chang, veja o site dele, aqui.

FOLHA - Você acha que há uma diferença entre as pessoas que jogam Second Life e as que jogam outros jogos on-line? Como você explica o sucesso de um jogo que não tem um fim definido?

CHANG - Sim, existe uma diferença significativa entre os jogadores normais de MMORPGs [jogos on-line massivos] e os jogadores de Second Life. As pessoas que jogam Second Life não são necessariamente, mesmo geralmente, jogadores. Isso é puramente anedotal, digo pela minha própria experiência, e não por observação empírica.

As pessoas que jogam MMORPGs estão procurando entretenimento - um objetivo, conseguir algo no jogo, esse tipo de coisa.

Second Life não tem objetivos -  é um lugar (como a vida) em que você faz dele o que desejar.

Existem muitas outras razões para estar no Second Life. Vou listar algumas delas.

Para algumas pessoas, é um espaço social. Para conhecer pessoas, conversar com os amigos. Não são necessárias distrações arbitrárias como ir em busca de algo ou matar um monstro.

Também é uma vida de fantasia. Donas-de-casa constroem sua casa dos sonhos, sentem que têm vinte anos de novo. Os produtos para mulheres sempre foram um dos setores mais lucrativos no Second Life por uma razão!

Outra coisa é que me dizem que Second Life é o que há de mais avançado em espaços multijogadores adultos. Dizem que os jeitos mais fáceis de ganhar dinheiro em Second Life são com produtos para mulheres e com sexo.

Second Life também é atrativo para muitas pessoas criativas, que querem se expressar artisticamente.

"Nerds" que não se interessam por games também são atraídos pela idéia de um espaço imersivo, programável e em 3D.

Para algumas pessoas, Second Life é um negócio, um hobby ou até um emprego principal.

Além disso, a comunidade "furry" [pessoas que gostam de se vestir como animais e interagir com outras vestidas da mesma forma] floresce em Second Life. Algumas pessoas têm fantasias de serem animais antropomórficos. Second Life é provavelmente um dos poucos lugares em que isso pode ser expressado em um contexto socialmente aceitável. Pessoas da Linden Lab me disseram que a comunidade "furry" tem sido a que cresce mais rapidamente no jogo.

Há também pessoas com deficiências que gostam de Second Life, porque podem interagir com outras pessoas como uma pessoa normal. Existem até mesmo esforços de usar Second Life como uma forma ou meio para terapia.

Finalmente, há também as pessoas entediadas em geral. Talvez elas não tenham muito entretenimento, talvez elas não tenham muito dinheiro para gastar com isso, ou estão desempregadas etc. Já me disseram que, no geral, as pessoas que vivem em áreas metropolitanas [dos EUA] têm chance menor de estar em Second Life do que aquelas que vivem em áreas rurais.

A Linden Lab gosta de dizer que, entre as pessoas que jogam Second Life, a relação entre homens e mulheres é de 50% para 50%, diferentemente de outros jogos on-line [em que há mais jogadores homens]. Mas eu não tenho idéia de onde eles tiram essas estatísticas, então sempre desconfio um pouco.

Crédito da foto: Reprodução de foto de Francis Chang, publicada no site dele

Escrito por Paula Leite às 23h17

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Jogos

Jogos

Vida Social 2

Leia a continuação da entrevista com Francis Chang.

FOLHA - Quais são as principais diferenças, tanto técnicas quanto sociais [dentro do jogo] entre Second Life e outros jogos?

CHANG - O mais importante é que Second Life tem uma forma livre. Os usuários criam a experiência. Todas as coisas que você vê, os usuários que inventaram, para o propósito que eles possam imaginar.
 
Realmente é como se fosse um MySpace em 3D. Compare isso com jogos como World of Warcraft ou City of Heroes - o jogador essencialmente está pagando uma empresa para criar a experiência para ele.

A maior fraqueza do Second Life também é sua maior força. O desenvolvimento de conteúdo é acessível, então geralmente não é desenvolvido em um nível profissional. A necessidade de Second Life de ser dinâmico força uma limitação, já que o jogo não pode ser tão sofisticado quanto outros jogos. Ao lado de outros jogos modernos, Second Life parece datado e primitivo.

FOLHA - Um dos estudos acadêmicos do qual você participou descobriu que normas sociais não verbais, como a distância entre as pessoas ao conversar, estão presentes em Second Life. Você acha que essa é uma característica especial de Second Life porque é um jogo mais similar à vida real ou também acontece em outros jogos?

CHANG - Não acho que é uma característica especial do Second Life, mas acho que é mais prevalente nesse jogo.

Em Second Life existe essa idéia de um avatar customizado, com poucas restrições a como você se apresenta. Acho que isso faz as pessoas se identificarem mais com seus avatares, que podem parecer com as pessoas na vida real ou ser a pessoa que ela gostaria de ser na vida real, ou alguma outra coisa com a qual a pessoa se identifica. Então há um sentido maior de identidade pessoal.

Isso é diferente de outros jogos on-line em que há mais restrições a como seu avatar pode ser. Imagine um cara andando por World of Warcraft de conjunto de moletom - não funciona.

Os avatares em outros jogos são escolhidos por razões completamente não relacionadas à aparência - por exemplo, você pode escolher ser um elfo por causa das habilidades mágicas especiais que aquela classe de personagens te dá no jogo.

Os avatares em Second Life são escolhidos e criados somente com base na aparência desejada.

FOLHA - Existem características técnicas que fazem de Second Life mais atrativo que outros jogos?

CHANG - Existem várias. Pra começar, é de graça. Qualquer pessoa com uma conexão rápida à internet e um computador rápido o suficiente pode experimentar. Não é necessário um cartão de crédito ou ir a uma loja.

Além disso, Second Life é adaptável aos seus desejos. Permite que você crie. Second Life preenche um nicho que, hoje, nenhum jogo on-line preenche.

FOLHA - O que você acha do "hype" em torno de Second Life? Por que as pessoas parecem prestar mais atenção em Second Life do que em outros jogos on-line? Você acha que Second Life continuará atraindo jogadores ou a moda passará logo?

CHANG - Eu provavelmente sou a última pessoa para falar de "hype". Eu vejo muito do que as pessoas falam e acho que é tudo besteira. Eu tenho uma superstição de que "hype" é o que as pessoas de marketing vendem umas às outras.

Eu acho que Second Life é interessante para as pessoas, porque é a primeira apresentação popular de um metaverso. Eu acho que Second Life continuará crescendo no futuro próximo, mais ou menos como o Linux tem crescido.

O Linux tem, de forma lenta, avançado, evoluído, melhorado, ganhado mais apoio desde os anos 1980. Em 1999, todo mundo começou a ficar louco por tudo que tinha a ver com Linux. Mas ele ainda não estava pronto para ser o sistema operacional que todo mundo queria - ele não podia ser tudo para todos. Então o "hype" diminuiu. Mas o Linux nunca dependeu disso. Ele preence uma necessidade - então continua crescendo e evoluindo.

O Linux pode nunca se tornar "mainstream", mas acho que vai continuar crescendo e tendo sucesso.

Eu acho que Second Life vai ser assim. O que eu não tenho certeza no momento é sobre como Second Life vai ser afetado pela competição. No momento, não há muitos competidores viáveis, mas eu ouço falar que as pessoas estão começando a construir outros espaços do tipo metaverso.

Escrito por Paula Leite às 23h11

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Novo sistema

Novo sistema

O que o Vista esconde

Se por um lado o Windows Vista investiu pesado na reprodução gráfica de alta qualidade, por outro o novo sistema operacional da Microsoft traz mecanismos que prometem baixar a definição de conteúdos considerados não oficiais.

De acordo com a Microsoft, essas ferramentas só serão ativadas caso os detentores dos direitos dos conteúdos a serem reproduzidos solicitem.

Mas, para o professor de ciência da computação da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, Peter Gutmann, o mecanismo é, antes de tudo, desrespeitoso ao consumidor, que paga caro por recursos que não poderão ser inteiramente utilizados.

Leia abaixo a entrevista concedida por ele, por e-mail, à Folha.



FOLHA - O sistema de administração de direitos autorais integrado ao Vista é algo nunca feito antes por um sistema operacional?

PETER GUTMANN - Nunca foi feito neste nível, apesar de já ter havido algumas experiências desse gênero anteriormente.

FOLHA - Trata-se de algo ilegal ou que desrespeita os direitos dos consumidores?

GUTMANN - Isso é difícil de ser respondido, já que você pode qualificar qualquer coisa que você queira como "proteção anti-cópia" e, portanto, "legal". Mas é definitivamente ruim para os consumidores.

FOLHA - Este controle pode ser desativado pelos usuários do Vista?

GUTMANN - Não.

FOLHA - Como esse tipo de restrição pode impactar a vida dos consumidores?

GUTMANN - Acho que terá muita reação negativa quando as pessoas forem comprar conteúdo e descobrirem que este não funciona ou não é reproduzido como seria esperado.

Não é o óbvio "não funciona", mas funciona de uma forma bastante restrita e degradada ou traz tantas limitações artificiais que é, efetivamente, inviável de ser usado.

FOLHA - Você acha que isso servirá como incentivo à pirataria?

GUTMANN - As pessoas irão ultrapassar esse mecanismo não porque elas sejam piratas, mas porque querem evitar uma medida arcaica como esta.

FOLHA - Medidas severas serão cada vez mais empregadas pelos desenvolvedores de tecnologia?

GUTMANN - Acho que algumas grandes corporações irão querer usá-las, mas também acho que haverá uma forte reação dos consumidores contra elas.

Escrito por Mariana Barros às 14h14

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Rede sem fio

Rede sem fio

Batalha das internets

A Novarum é uma empresa de consultoria dos Estados Unidos que testou as redes de internet rápida sem fio em 14 cidades, tentando reproduzir a experiência do usuário final. Isso significa que os testes foram feitos com notebooks e portáteis disponíveis no mercado e que o sinal foi testado em várias partes das cidades.

A surpresa foi que as redes de terceira geração das operadoras de celular ganharam das redes metropolitanas de Wi-Fi nos testes, conforme noticiado no caderno Informática de hoje.

Phil Belanger, diretor-executivo da Novarum, conversou conosco por telefone de Akron, Ohio, nos EUA, sobre os testes realizados e sobre a internet rápida sem fio em geral.

FOLHA - O que vocês levaram em conta no ranking geral da internet rápida sem fio e por que as redes celulares foram consideradas melhores?

BELANGER - Existem dois fatores técnicos que nós medimos, que são a parte objetiva que entra no ranking. Um é a velocidade, com que rapidez você consegue transferir dados.

Outra é a disponibilidade de serviço, o que significa que, dentro da área de cobertura [da internet sem fio], geralmente nós testamos 20 locais. Então, desses locais, em quantos realmente conseguimos navegar? A partir disso, nós calculamos a porcentagem de disponibilidade de serviço.

Esses são os dois fatores técnicos. Os fatores subjetivos foram a facilidade de uso e o custo/benefício. Para chegar ao ranking geral, a facilidade de uso e o custo/benefício recebem um peso menor. A maior parte do ranking geral vem dos dois fatores técnicos.

A razão porque as redes de celular tiveram boa pontuação foi porque, no quesito disponibilidade, essas redes foram melhores que o Wi-Fi. Se você combinar as tecnologias de segunda geração e de terceira geração, então você tem maior disponibilidade.

Além disso, essas redes são mais maduras como serviço. Do ponto de vista do usuário, é muito fácil de usar, é simples e muito claro. Os sistemas Wi-Fi não são tão claros e eles variam. Uma das razões para isso é que o Wi-Fi é um serviço novo, não tão maduro, e os provedores não têm um jeito definido de fazer as coisas. Devido à novidade do Wi-Fi, ele não é tão sólido nem fácil de usar.

O lado negativo é que as redes de celular tendem a ser muito caras.

FOLHA - Quando você diz que o Wi-Fi é mais difícil de usar, você quer dizer que é mais difícil de se conectar?

BELANGER - Isso varia de rede para rede. Não é uma questão de tecnologia, é como o provedor escolhe colocar o serviço.

Por exemplo, você tem que fazer um passo a mais no Wi-Fi que você não precisa fazer nas redes de celular. Geralmente, você tem que achar a rede Wi-Fi que você quer usar, e pode haver várias delas.

Então você tem que escolher a certa, fazer o login e, a partir desse ponto, algumas delas funcionam muito bem. Em outras, quando você se move, pode ter que fazer o login de novo. Então isso pode ser inconveniente.

Escrito por Paula Leite às 12h08

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Rede sem fio

Rede sem fio

Batalha das internets-2

Leia a continuação da entrevista com Phil Belanger, da consultoria Novarum, sobre redes sem fio

FOLHA - Na análise feita pela Novarum, vocês dizem que há redes metropolitanas Wi-Fi para serviço de banda larga doméstica [para uso em computadores fixos dentro das casas] e para uso móvel [com notebooks e portáteis]. Qual a diferença que vocês viram entre esses dois usos?

BELANGER - Do ponto de vista da tecnologia, o mais difícil para o Wi-Fi fazer é o serviço fixo, de banda larga residencial. A razão é que o sinal Wi-Fi, que vem da infra-estrutura que está do lado de fora, tem que passar pelas paredes das casas.

É mais difícil para o Wi-Fi passar pela parede do que para um sinal de uma rede de celular, e a razão para isso é técnica e tem a ver com o fato de que o Wi-Fi usa uma freqüência mais alta.

Nós descobrimos, em nossos testes das redes, que elas são usadas para várias coisas. Às vezes, as redes são usadas para banda larga doméstica. E isso é mais freqüente nas cidades menores, porque levar internet às casas nesses locais por uma rede Wi-Fi metropolitana pode ser uma solução mais econômica. Descobrimos que muitas redes se propõem a fazer isso.

Para nós, isso significa que temos que testá-las de uma maneira diferente. A razão é que o serviço móvel, ao ar livre, geralmente vai diretamente ao aparelho móvel, por meio de um adaptador Wi-Fi dentro do seu notebook ou do seu palmtop.

No serviço residencial, para evitar o problema do sinal que tem que passar pelas paredes, o que os provedores fazem é te dar um roteador Wi-Fi. Esse aparelho tem uma antena que permite um sinal mais forte até a infra-estrutura e torna mais fácil para o sinal atravessar as paredes. Para simular isso, fizemos os testes com os dois tipos de equipamentos.

FOLHA - Por que o Wi-Fi se saiu melhor no ranking de velocidade?

BELANGER - Por causa da tecnologia. A razão é porque o Wi-Fi, se você olhar para as especificaçõe técnicas, é muito mais rápido.

Uma coisa engraçada, e isso faz parte da confusão que envolve a internet rápida sem fio, é que você ouve que o Wi-Fi atinge 54 megabits, enquanto as redes de celular, na melhor das hipóteses, chegam a 3 megabits.

Mas uma coisa confusa é que, quando você usa o Wi-Fi em uma cidade, você não recebe esses 54 megabits. Geralmente, você recebe 1 megabit. Mas o importante é que, nos testes que fizemos, o Wi-Fi foi mais rápido.

FOLHA - A Novarum diz em sua análise que a velocidade e a disponibilidade das redes de internet rápida sem fio não são melhores por razões econômicas, e não por razões tecnológicas.

BELANGER - As redes poderiam ser melhores. Se os provedores investissem mais na infra-estrutura, eles poderiam ter um serviço melhor, nos dois tipos de rede, Wi-Fi e de celular.

Você pode ver isso de dois jeitos. O lado positivo é que existe espaço nessas tecnologias para melhora. Existe capacidade técnica para fazer as redes serem mais rápidas. Então, se o uso aumentar, os provedores poderiam fazer esse investimento.

A razão porque eles não fazem isso é simplesmente financeira, eles não estão tendo lucro suficiente para investir mais. Esse é o objetivo do negócio deles, eles querem ter lucro. Algumas cidades, porém, estão dando esse serviço de graça, então é uma questão simples de quanto eles podem investir.

É uma escolha econômica, se eles estiverem gerando muito faturamento, podem reinvestir parte disso para melhorar o serviço ou aumentar a capacidade para conseguir mais usuários.

Escrito por Paula Leite às 12h05

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Vídeo

Vídeo

A internet como meio

Nesta segunda parte da entrevista, o cineasta Esmir Filho fala sobre as peculiaridades dos filmes feitos especialmente para a rede.

FOLHA - Seus novos vídeos vão seguir a mesma linha do "Tapa"?
FILHO - Não. Queremos variar, não bater na mesma tecla. Vamos testar o público. "Vibracall" foi o primeiro e agora já temos um outro, "Como Manter um Nível Saudável de Insanidade". Estamos lançando para a internet, não para a TV nem para o cinema, mas encarando a internet como uma nova plataforma. Se um video é visto por mais pessoas do que vários longas que passam no cinema, por que não investir?

FOLHA - Haverá um canal especial?
FILHO -
Dá para fazer isso? Então pode dizer que a gente vai fazer! Até lá, é só procurar no TouTube pelo meu nome de usuário, "esmirfilho".

FOLHA - E o que você acha dos remakes do "Tapa"?
FILHO - São ótimos. Fico impressionado de ver que as pessoas perdem seu próprio tempo para fazer covers.

FOLHA - Qual a diferença de uma produção voltada à internet?
FILHO - É efêmera. Tem de ser fácil e leve. No cinema, a estética é mais apurada. Na rede dá até para tratar de temas de tabus de uma maneira leve. Tem de ser curto também, porque quando o vídeo passa de certo tempo, o pessoal perde o interesse.

Escrito por Mariana Barros às 08h11

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Controle e bom-senso

De carona na discussão sobre a censura do YouTube, provocada pela veiculação do vídeo com cenas de sexo protagonizado pela apresentadora Daniella Cicarelli e seu namorado Tato Malzoni, o caderno "Mais!" traz, na edição de hoje, reflexões sobre o assunto.
Integram o material uma entrevista feita pelo Rodolfo Lucena com a diretora da Icann, Susan Crawford, publicada na íntegra em posts anteriores, e uma entrevista feita por mim com Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV-RJ, membro do Creative Commons Brasil e presidente do iCommons, entidades voltadas ao compartilhamento de conteúdo on-line. O papo completo está neste e em mais dois posts abaixo.


Folha – A internet pode ou não ser controlada?

LEMOS - Contrariamente ao senso comum, a internet pode, sim, ser controlada. O que chamamos de internet é um conjunto de redes majoritariamente privadas conectadas umas às outras. Nesse sentido, no caso do YouTube em particular, os pontos de conexão da rede brasileira com os EUA, por exemplo, são apenas alguns. Os dados trafegam pelos chamados backbones, que são as espinhas dorsais da rede. Um filtro colocado nos backbones, bloqueando os endereços do YouTube, consegue impedir o acesso a ele por computadores na rede brasileira.


Folha – Onde fica a responsabilidade dos provedores?

LEMOS - Os provedores de acesso e de conteúdo são os principais pontos de controle da internet. Como são facilmente indentificáveis, pois possuem endereço físico e exercem atividade comercial, eles são o alvo preferido de ações judiciais. No entanto, essa estratégia é errada. Cada vez mais países possuem legislação protegendo os provedores dessa prática de serem sempre responsabilizados em primeiro lugar. Essa proteção é fundamental. Balancear a responsabilidade dos provedores de conteúdo ou acesso é fundamental para fomentar a inovação tecnológica. Não é por acaso que inovações como o YouTube surgem primeiro nos EUA. Uma das razões para isso é que a legislação daquele país define com muito mais clareza quais são as responsabilidades do serviço, ao contrário do Brasil, que simplesmente não possui uma lei a respeito.

Escrito por Mariana Barros às 10h38

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Má decisão

Segundo Ronaldo Lemos, em se tratando da rede mundial, filtragem é sempre a pior alternativa, conforme explica nesta segunda parte da entrevista concecida à Folha

Folha – Qual o limite entre controle e censura, entre bom-senso e liberdade de expressão?

LEMOS – A regra aceita universalmente é de que a filtragem de conteúdo é sempre o pior dos caminhos. Uma decisão como a do Tribunal de Justiça de São Paulo é simplesmente uma má decisão, independentemente de ser direcionada ao bloqueio do site YouTube como um todo ou apenas ao vídeo da Cicarelli. Ambos os casos são igualmente graves. A filtragem de conteúdo já foi objeto de estudos importantes. Há extensa documentação sobe o assunto, por exemplo, em projeto do Berkman Center da Univesidade de Harvard.


Folha – Uma filtragem será sempre inadequada?

LEMOS - Sim. Por, ao menos, três razões. Primeiro porque ela sempre extrapola os limites específicos para o qual foi implementada. Ao se bloquear um tipo de conteúdo, inevitavelmente são bloqueados vários outros que são legítimos. A segunda razão é que ela é ineficaz. Basta a utilização de mecanismos tecnológicos bastante simples e disponíveis para burlar os filtros utilizados. Por fim, a filtragem afeta a chamada neutralidade da rede. Imagine se as redes telefônicas pudessem bloquear determinados tipos de conversa. Teríamos uma sociedade completamente diferente da que temos hoje. Não por acaso a prática da filtragem é característica de países autoritários, como a China, a Arábia Saudita e, mais recentemente, a Tailândia.
Uma decisão como essa abre um precedente muito sério no Brasil, especialmente pelo fato de que coloca o interesse individual (o de direito à privacidade) acima do interesse de toda a coletividade, do acesso à informação, integridade da rede de comunicações e neutralidade tecnológica.


Folha – É possível fazer um cerco efetivo à criminalidade digital sem prejudicar a privacidade dos demais internautas?

LEMOS - É preciso distinguir entre diferentes formas de conduta ilegal na internet. Com relação a crimes de grande potencial ofensivo, como a pedofilia, faz sentido adotar medidas mais drásticas. Nesse caso, é justificado colocar determinados princípios na frente de outros, pois a privacidade é claramente menos importante do que a integridade física e psicológica de menores.
Com relação a ilegalidades que não são crimes, mas infrações civis, relacionadas muito mais a um interesse privado do que a um interesse público, não se justifica deixar de lado princípios fundamentais. Nesse caso, a privacidade, o direito à informação e os direitos do consumidor de ter um serviço de comunicação livre de restrições são mais importantes. Devemos notar que esses princípios são a base da construção de um novo tipo de sociedade, mais transparente, democrática e livre. A proteção desses princípios deve ser prioridade do poder judiciário e as restrições a ele devem ser exceções específicas.

Escrito por Mariana Barros às 10h32

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Centrípeta ou centrífuga?

Na 3a e última parte da entrevista com Ronaldo Lemos, o pesquisador fala sobre o papel do Creative Commons na democratização do conteúdo on-line e de duas tendências do desenvolvimento da rede mundial, uma de centralização e outra de descentralização.

Folha – Qual o papel do Creative Commons nessa história?

LEMOS - O Creative Commons defende os princípios de abertura, transparência e neutralidade, afinal, o acesso à cultura e ao conhecimento, que é precisamente protegido como fator principal para o desenvolvimento econômico e social. Medidas de controle tecnológico e filtragem simplesmente ignoram esses princípios. Na prática, eles revogam os direitos adquiridos pela sociedade, se os conteúdos são legítimos ou não. Simplesmente os bloqueiam, deixando usuários sem recurso e marginalizando canais democráticos que deveriam estar presente no processo.

Folha – Tendo em vista casos como esse da Cicarelli, podemos pensar que a tendência da internet é rumo à centralização ou à descentralização?

LEMOS - Hoje há duas tendências distintas na internet. A primeira, chamada pelo professor da Universidade de Oxford Jonathan Zittrain (LEIA AQUI uma entrevista concedida por Zittrain ao "Informática" em 2004) de tendência generativa, é de abertura, colaboração, descentralização e de universalidade de propósitos. É a tendência original da internet, defendida e adotada desde sua criação. Como exemplo, há o fato de que a rede atual é multifuncional, pode transmitir de vídeos a chamadas telefônicas, de texto a áudio.
Outra tendência, mais recente, é a chamada não-generativa. Ela se materializa na construção de redes fechadas, geralmente voltadas à realização de um único propósito, abandonando o modelo de pluralidade de propósitos. Um exemplo são as redes de TV digital existentes, desenhadas primordialmente para transmitir conteúdo de TV e nada mais. Nelas, o controle é muito mais fácil de ser realizado. No entanto, a sociedade perde em participação e colaboração. Essa última visão vem ganhando força nos últimos anos. Em última análise, ela pode representar um recuo nas possibilidades de democratização trazidas pela internet.

Escrito por Mariana Barros às 10h26

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