Lula diz que Lei Azeredo é censura
Fisl - Lula

Daniela Arrais/Folha Imagem
Adesivo distribuído no Fisl hoje à tarde, quando o presidente Lula fez uma visita
“Podem ficar certos, companheiros, neste governo é proibido proibir”. Foi com essa frase que o presidente Luis Inácio Lula da Silva começou a discursar sobre a Lei Azeredo, na tarde de hoje, durante o 10º Fisl (Fórum Internacional do Software Livre). Prontamente ovacionado pela plateia, o presidente discorreu sobre a lei que tipifica crimes cometidos pela internet e é um dos temas mais recorrentes desta edição do fórum _que contou, pela primeira vez, com a participação de um presidente da República. Críticos da lei afirmam que ela vai contra os direitos do cidadão e que o projeto conta com brechas que podem transformar o simples ato de baixar música em crime que pode levar à cadeia. “A lei que está aí não visa proibir abuso de internet. Ela quer fazer censura”, disse Lula, acrescentando que é preciso fazer modificações no código civil para responsabilizar questões que envolvem o mundo digital, e não sair fazendo condenações, porque “esse interesse é policialesco”, uma vez que visa permitir, até mesmo, o sequestro de computadores. O presidente afirmou, ainda, que não se pode condenar a maioria por conta de ações pontuais negativas. “As pessoas de bem são maioria. Não vamos ficar assim porque de vez em quando aparece um maluco. (...) Os que promovem a vida são muito mais numerosos”, afirmou. Lula também relembrou o momento em que o governo optou por usar o software livre. “Nós tínhamos duas escolhas: ou íamos para a cozinha preparar o prato, colocar nosso tempero e fazer tudo do nosso jeito brasileiro ou a gente iria comer o prato que a Microsoft queria”, disse o presidente, acrescentando que prevaleceu a ideia de liberdade.
Escrito por Daniela Arrais às 19h19
Palestrantes discutem regulação da rede
Fisl - Regulamentação
Em um debate sobre regulamentação da internet no Brasil, durante o Fisl, o professor e ativista do software livre Sérgio Amadeu arrancou aplausos da plateia ao fazer uma comparação simples, porém certeira: “Se eu estou andando no meio da rua, falando ao celular, ninguém me para para me perguntar com que eu estou falando. A internet reproduz o mundo da rua, o mundo da vida. Ninguém tem o direito de ficar me ouvindo. Quero navegar sem vigilância.”
O debate contou com a participação de Marcelo Branco, coordenador do Fisl, Ronaldo Lemos, diretor do Creative Commons no Brasil e professor da FGV, Pedro Paranaguá, também professor da FGV, Ivo Correa, do Google Brasil, e José Vaz, coordenador geral de Gestão Coletiva e de Mediação em Direitos Autorais da Diretoria de Direitos Intelectuais.
Branco começou o debate afirmando que "estamos passando por um período histórico de transformações nas relações sociais, onde a revolução não é somente tecnológica, como principalmente social e de comportamento, como foi a Revolução Industrial. Não podemos viver uma nova era com regras que pertencem a um modelo antigo de negócio."
Lemos abordou a questão cada vez mais rígida do direito autoral. “Nos últimos 15 anos, a indústria do contúdo conseguiu tudo o que queria do ponto de vista legal. Todas as decisões judiciais foram faváveis a essa indústria. Foram fechados o Napster, o mp3.com, o Groktsy. O direito autoral foi se tornando cada vez mais severo, a ponto de não ter como torná-lo mais rígido.”
Sobre a lei Azeredo, em tramitação, Lemos destacou que é necessário atender a três demandas: “O que a gente está buscando é um equilibrio de três demandas: a primeira é por coibir condutas mais graves na internet. A segunda é a ampliacao das possibilidades de investigação. E a terceira é a de proteção de direitos fundamentais e de garantias institucionais”.
Pedro Paranaguá falou sobre a rigidez dos direitos autorais brasileiros, que mantêm qualquer obra protegida após 70 anos da morte do autor. "Nem o mais criativo dos autores levantaria de seu túmulo para continuar criando," disse.
Ivo Correa, do Google, lembrou que a cópia é um princípio básico da internet. E citou a importância de haver uma regulamentação sobre o uso da internet durante as eleições. “O tipo de regulação que se dá para a internet vai afetar como o Brasil vai se inserir nesse novo panorama tecnólogico.”
Ele disse ainda que as discussões que ocorrem não destoam dos debates no mundo todo. "Espero que o Congresso Nacional entenda a importância da criação de um marco civil básico para a internet, que seja proveitoso para o país."
Escrito por Daniela Arrais às 19h09
Cofundador do Pirate Bay fala sobre liberdade
Fisl - Peter Sunde

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Peter Sunde,30, confundador do Pirate Bay, site de compartilhamento de arquivos, conversou agora há pouco com jornalistas e blogueiros. O sueco falou sobre liberdade, compartilhamento de arquivos, como a indústria do entretenimento quer mais ganhar dinheiro do que criminalizar quem baixa músicas, filmes e demais conteúdos protegidos por direitos autorais, entre outros assuntos.
Sunde citou estudos que mostram que quanto mais as pessoas compartilham as músicas de um artista, mais dinheiro ele consegue. “As gravadoras não querem achar um novo modelo de negócios. Eles não querem trabalhar com a gente [Pirate Bay], com ninguém. Se não acharem alternativas, elas vão simplesmente desaparecer.”
No entanto, as gravadoras não querem mudar esse modelo e preferem cobrar US$ 80 mil de pessoas físicas por música em processos por download ilegal, disse. “Para fazer uma comparação, para cada vítima da tragédia da Air France, a indenização será de US$ 24 mil. Olha só o valor que a indústria julga ter."
Segundo ele, apenas artistas que não produzem há muito tempo se contrapõem ao compartilhamento de arquivos. “Prince e Village People tentaram processar a gente. Nenhum deles está fazendo música desde os anos 1980. Mas eles se incomodam por não venderem coletâneas de melhores sucessos. No entanto, sem a internet, os novos músicos não seriam nada. A internet abriu uma grande possibilidade. E a distribuição gratuita de músicas ajuda a chegar a mais pessoas."
Sobre a indústria de entretenimento, Sunde apontou que as constantes condenações de usuários comuns mostram que o órgão encontrou uma maneira de ganhar mais dinheiro. "É um modelo de negócios. Eles estão processando as pessoas para ganhar dinheiro, e não porque elas cometeram um crime, como eles dizem."
"Nós precisamos defender a liberdade, é o primeiro passo. Essa liberdade está sob o ataque de companhias, de governo. Nunca foi tão importante lutar por liberdade. Também temos que ampliar essa discussão. É uma grande batalha", completou.
O sueco ainda falou sobre a situação do Irã, dizendo que não tem conhecimento suficiente para analisar o caso, mas que junto ao Pirate Bay defende uma nova eleição e, principalmente, a liberdade de discurso.
Escrito por Daniela Arrais às 19h20
Começa o Fórum do Software Livre
Fisl - Abertura

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O Fisl começou oficialmente na tarde desta quarta-feira. Marcelo Branco, coordenador do fórum (e, também, da Campus Party), falou para o público, ressaltando a importância de a internet continuar livre. “Não queremos uma interenet censurada, vigiada, controlada, queremos uma internet livre. Por isso estamos aqui com esse tema de liberdade. ”
Branco também citou a crise econômica, afirmando que ela é reflexo dos valores da era anterior. “A superação da crise se dará pela inovação aberta, colaborativa e distribuída.”
Richard Stallman, fundador da Free Software Foundation, arrancou risos da plateia ao falar “me disseram que era melhor falar espanhol, ok?”
Ele afirmou que é necessário educar as pessoas pasra que elas valorizem sua própria liberdade. “Travar o compartilhamento de arquivos é travar a sociedade.”
Escrito por Daniela Arrais às 18h46
Pré-adolescentes aprendem robótica
Fisl - Robôs


Fotos Daniela Arrais/Folha Imagem
André Brum começou a brincar com robótica quando ainda era bem pequeno. Não que ele tenha crescido muito _afinal, tem apenas 12 anos. Mas já encara a construção de robôs como um grande aprendizado.
Ele faz parte da equipe de robótica do Colégio Marista Assunção, do Rio Grande do Sul. A disciplina é opcional e tem como objetivo aplicar conceitos de robótica educacional, refletir sobre o uso consciente da internet e utilizar, ecologicamente, material de descarte.
Nos corredores do Fisl, André e Rafael Ribas, 11, mostram o resultado das aulas: Penelo-py, um robô feito com materiais reciclados. Além de andar, o robô canta _o efeito é conseguido graças a um tocador de MP3. Foi feito por uma equipe de dez alunos, sob orientação do professor Marcos Aranda.
“Tudo nela é reaproveitado. O monitor, o controle, que era de um carrinho”, diz André, acrescentando que desde pequeno é “chegado em tecnologia”.
Penelo-py, os meninos explicam, é uma adolescente apaixonada por tecnologia, principalmente pelos recursos da internet. Ela gostava de conversar apenas dor MSN, seus amigos eram do Orkut... Um dia, ela acabou sendo engolida pelo computador e virou a Penelo-py.
“As pessoas ficam muito na internet, esquecem dos amigos. A gente quis falar disso”, diz André.
Patrícia de Camillis, professora responsável pelo turno integral do colégio, acrescenta que os meninos discutem bastante o uso do computador no dia a dia. “Eles falam sobre passar muito tempo na internet, de que é preciso usar o computador de forma moderada.”
Rafael diz que ele e os colegas pensam em criar um timer para controlar o tempo on-line. “Você tem um tempo para ficar no computador. Quando esse tempo acaba, tem que sair dele”, diz o menino, acrescentando que costuma passar apenas uma hora por dia no micro.
Escrito por Daniela Arrais às 16h22
Software Livre em Porto Alegre
Fisl

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A abertura oficial ocorre logo mais, mas a PUC-RS (Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul) já está bem movimentada por conta do 10º Fisl (Fórum Internacional do Software Livre), que ocorre em Porto Alegre.
Para esta edição, é esperado um público recorde: cerca de 7.000 pessoas já estão inscritas para participar de cerca de 300 atividades, entre palestras, oficinas e exposições _ainda é possível fazer inscrições no local. O fórum vai até o próximo sábado.
Durante os quatro dias de evento, a estrela é o software livre, cujo uso é abordado em áreas como segurança, economia, educação, política, cultura e tecnologia. A ideia é discutir como esse modelo de distribuição pode ser usado para reduzir custos e aumentar a confiabilidade dos sistemas.
Um dos palestrantes mais aguardados do Fisl é Peter Sunde, um dos fundadores do Pirate Bay, site de compartilhamento de arquivos que foi condenado por incentivar a pirataria.
O presidente Lula também deve aparecer por aqui para fazer o pré-lançamento de seu perfil no Twitter, seu blog e de um canal de vídeos no YouTube.
Outros nomes de destaque são Richard Stallman e John Maddog Hall, gurus do software livre.
O valor da inscrição nas modalidades individual/empresa é de R$ 163. Estudantes e caravanas pagam R$ 81,50 e órgãos governamentais, R$ 203. Para saber mais, acesse:
Escrito por Daniela Arrais às 15h47
